5 de out de 2009

Informação, por favor!

fone[1] Traduzi este texto de uma edição de 1959 da Reader’s Digest, conhecida, no Brasil, como Seleções: achei-o singelamente belo e resolvi compartilhar.

O autor é Randolh Kinsey. Não sei se ele ainda vive. Eis o texto:

Quando eu era criança, meu pai comprou um aparelho preto, em forma de caixa que se afixou à parede.

Dentro daquele aparelho existia uma pessoa cujo nome era "Informação, por favor". Ela sabia tudo, do número de qualquer pessoa até a hora certa.

Um dia eu fiquei só em casa e, mexendo na caixa de ferramentas, machuquei meu polegar com um martelo.

Chorando, lembrei-me do telefone. Peguei uma cadeira e usei-a para alcançá-lo. Desenganchei o receptor, segurei-o próximo ao ouvido como minha mãe fazia e disse: "Informação, por favor?”.

Uma voz suave e clara respondeu. Disse-lhe que havia machucado o dedo. Ela perguntou-me se minha mãe estava em casa e se o meu dedo sangrava.

Ao ouvir que eu estava só e que o dedo não sangrava, com voz calma e terna orientou-me para ir até a geladeira, que lá pegasse uma pedra de gelo e a segurasse firme sobre o dedo machucado.

Depois disto, eu a chamava pra qualquer coisa: pedia ajuda nas tarefas da escola e até orientações sobre qual tipo de comida eu poderia dar ao meu esquilo.

Certa vez pedi a ela que me ensinasse a soletrar a palavra consertar: ela passou alguns minutos me ensinando isto, até que aprendi.

Quando o meu canário morreu, eu chamei a "Informação, por favor".

Ela ouviu atentamente o meu lamento e me falou palavras de conforto. Mas eu estava inconsolável e perguntei-lhe por que os passarinhos morriam e não podiam mais cantar?

Ela respondeu calmamente:

- Paul, lembre-se sempre de que existem outros mundos onde se pode cantar...

Quando eu estava com nove anos, mudamos para Boston. Senti muitas saudades dela.

"Informação, por favor" pertencia àquela caixa de madeira na parede: eu nunca pensei em tentar a mesma experiência com o telefone que ficava sobre a mesa, na sala de nossa nova casa.

Anos mais tarde, ao viajar para a costa oeste para iniciar a universidade, fiz uma parada de meia hora em Seattle, onde eu morava quando criança.

Sem pensar no que estava exatamente fazendo, eu disquei para o número de informação.

Quando atendeu, milagrosamente, ouvi a suave e clara voz que eu tão bem conhecia. Eu não havia planejado isso, mas ouvi a mim mesmo dizendo:

- Você poderia me dizer como se soletra a palavra consertar?

Houve uma longa pausa. Então ouvi:

- Espero que seu dedo já esteja bem sarado agora!

Sorrindo satisfeito, disse-lhe que ela havia significado muito para mim e que era uma das mais ternas recordações da minha infância.

Ela respondeu que nunca pode ter filhos, e ficava aguardando ansiosamente o meu contato.

O vôo chamou. Perguntei-lhe se poderia vê-la quando eu fosse visitar minha irmã. Ela respondeu que sim, que ligasse e chamasse por Sally.

Três meses depois voltei a Seattle. Uma voz diferente atendeu. Eu perguntei por Sally.

- Você é um amigo? Ela perguntou.

- Sim, um velho amigo. Respondi.

Ela disse:

- Sinto muito em dizer-lhe, Sally morreu há um mês. Ela lutou com um câncer por toda a vida, mas há um mês Deus a levou.

Fiquei mudo. As lágrimas, copiosamente, derramaram. Ela continuou.

- Seu nome é Paul?

- Sim. Respondi.

- Sally deixou uma mensagem para você. Ela deixou escrita caso você ligasse. Deixe-me ler.

A mensagem dizia: "Ainda acredito que existem outros mundos onde podemos cantar".

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