17 de mar de 2008

Homo tellus lupus

lobocord[1] É uma pena a classe política paraense fazer coro com predadores ambientais e pessoas que pisoteiam a legislação: infelizmente, o  discurso da geração de empregos está sendo pautado por um reducionismo cretino.

Estamos perdendo uma ótima oportunidade, de, em apoiando as ações do Governo Federal na questão ambiental, termos autoridade eventual para exigir deste uma política mais conseqüente, que compense o Estado dos danos que vem sofrendo por sediar projetos que têm servido exclusivamente à União.

Em todos os enclaves cometidos pela União no Pará, algum duvidoso ganho se dissolve nos impactos sociais negativos que nos tem mantido com índices de desenvolvimento humano sofríveis, em relação às riquezas exploradas.

Tudo o que se tem feito no Pará, tem sido uma poderosa privatização de lucros e socialização de prejuízos.

Nós, os políticos, com exceções sem eco, estamos cometendo um erro histórico ao apitarmos no mesmo diapasão dos delinqüentes: o Pará pode e deve prescindir de quaisquer atividades danosas ao meio ambiente e tem a obrigação constitucional de coibir atividades feitas ao arrepio da lei.

É desconcertante para algum ideal de civilização o discurso que defende o desrespeito à lei e à sustentabilidade ambiental, como forma de sustentabilidade econômica, até que questões estruturais se resolvam: este tipo de solução subverte os preceitos éticos que norteiam o comportamento social.

A efetividade desta fala transformaria a exceção legal do crime famélico ou da defesa putativa em uma conveniência econômico financeira, tirando-os da seara da necessidade eventual: isto seria uma permissividade letal para o Estado de Direito, que surgiu exatamente se contrapondo a tal realidade. 

Em artigo anterior, afirmei que não era possível, à margem da lei, arrancar do solo paraense tão formidável quantidade de floresta, sem que uma cadeia de subornos e assassinatos se perpetrasse.

Os dois jornais de maior circulação no Pará têm mostrado os fatos: denúncias de assassinatos, suborno e corrupção estão sendo postos na esteira rolante da Operação Arco de Fogo que se iniciou em Tailândia.

O maior ingrediente desta sopa é a rede de atividades ilegais que ora se tenta desmantelar. Por que alcovitá-la a qualquer pretexto?

É sabido, também, que a demora e a improvisação da Arco de Fogo está dando tempo para que aqueles que assaltam a floresta escondam o produto do saque: tem muita madeira já enterrada pelo Pará afora, à espera da bonança que se imagina virá após a procela.

O Estado não deve ceder: precisa aliar-se à União e avançar nesta e em outras frentes. O Pará precisa chegar ao seu território e fazer valer a sua autoridade sem pestanejar diante das falácias que se têm implantado por aqui.

Até agora, tudo o que tenho visto, em todos os sentidos, são condestáveis lobos se dizendo com alma de cordeiros: não poderia ser diferente, pois o sistema e o modelo que o mundo acoita como meio de crescimento econômico só gera alcatéias.

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